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Angel's Art

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28
Out15

Don't look, I'm a Monster

Eva Bertaccini

Hoje talvez tenha sido um dos piores dias da minha vida. 

Quando tinha 14 anos fui parar ao hospital com a coluna injada e cheia de dores. Aí descobri que tinha esclerose multipla. Uns medicamentos para as dores e "vai-te embora melga". Mas infelizmente as dores não passaram. Comecei a ir à fisioterapia o que aliviou e ajudou imenso a minha maneira de suportar e encarar as dores. Passado uns meses fui a um hospital particular a Lisboa e o médico mandou-me fazer uma tac e no relatório chegou-se à conclusão que: 

"Em L3-L4 o disco é difusamente procidente, com associada hérnia postero-lateral direita, condicionando

moldagem da face ventral do saco dural e eventual compromisso da emergência radicular dural L4

direita. Canais de conjugação permeàveis. Em L4-L5 e L5-S1 os discos são difusamente

procidentes e contactam o saco dural, rectificando ligeiramente a sua face ventral

em L4-L5. Canais de conjugação permeàveis"

Falando mais à português: para além da esclerose, tenho 2 hérnias e um disco desviado/fora do sitio o que faz com que tenha um nervo entalado/magoado. 

Isto dá um desconforto diário horrivel, admito, mas com passar dos anos fui-me habituando, há sempre uns dias melhores, outros piores, como a vida.

Hoje foi um dia daqueles dos piores. Tudo começou na noite de ontem, sentia dor horrivel, mas nada que eu não tivesse habituada e não liguei. Hoje de manhã continuava cheia de dores, não contei a ninguém e fui para as aulas. No intervalo começou-me a dar aquelas dores que eu chamo de "choques eletricos" e mais uma vez fui orgulhosa e não disse a ninguém e não me preocupei muito com o caso. Vesti-me para a aula de educação fisica, e ainda com os choques elétricos na anca, perna e costas, comecei a correr. Ia na 2ª e parei, cheia de dores enormes. Tentei que ninguém reparasse que estava mal (e consegui!) e fiz as 4 voltas a caminhar. Quando parei estava tão mal que comecei a chorar. Mais uma vez não queria que ninguém percebesse (sim, sou muito orgulhosa) mas houve gente que se apercebeu e graças a isso tive duas ajundates impecáveis para mim e que eu agradeço imenso terem gasto a paciência e tempo em mim. A minha mãe apareceu e disse para eu fazer os exercicios que custumava fazer na fisioterapia. Com as dores não conseguia pensar e só me lembrei de 2. Foi o pior momento. Em que me pus de gatas no chão do balneário, com a B e outra colega, a minha mãe e a professora a olharem para mim, no meu pior momento, naquela face em que eu só quero chorar, bater em algo, em que a vergonha é tanta que na minha cabeça só existia a frase "És tão fraca, uma inutil". Desejei que ninguém me visse assim, sempre me escondi as minhas dores e os meus momentos mais aflitos porque se eu o fizesse em frente a alguém essa pessoa iria ver-me nos meus piores momentos, naqueles momentos em que só quero deixar de existir por me sentir tão inutil. 

Não consegui estar sozinha e quem eu não queria que algum dia me visse assim, viu. Foi o pior momento da minha vida. Só desejava desaparecer. 

Depois disso nada demais aconteceu, fui parar mais uma vez ao hospital, levei uma injeção, fiz raio x e médico receitou-me medicamentos para ir tomando diáriamente, sempre acompanhada pela B por sms (sim, a nivel fisico estava completamente sozinha, durante 5 horas, cheia de dores e vergonha...).

Desculpem o desabafo, mas estava a precisar.

Beijinhos.

 

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